sábado, 24 de janeiro de 2009

Novena da Purificação


Após 20 anos de ausência, ontem me fiz presente na Novena de Nossa Senhora da Purificação. Como reza a tradição, também acontece o translado da imagem do Senhor Santo Amaro da sua igreja para a Matriz, onde ficará ate' o dia 02 de Fevereiro, dia do encerramento das festas, com belíssima procissão. E chega ele altaneiro, sobre andor magnificamente ornado com flores amarelas (sua cor de identidade) e adentra sob olhares devotados dos q ali se encontram em seu aguardo. Entra de costas! Jamais entendi porque as imagens "visitantes" devem entrar na "casa" do seu anfitrião de frente para a rua! Dizem os mais velhos que e' por uma questão de respeito! Oportunamente, perguntarei ao Padre Rogério, atual administrador da Paróquia do Rosário e de Oliveiras dos Campinhos, a origem desse hábito.


Tem inicio a celebração da novena e ao primeiro acorde do cântico de entrada, ondas de arrepios percorrem meu corpo... lágrimas teimosamente umedecem meus olhos... respiro com dificuldade... No entanto, como por encanto, as palavras vão surgindo lá das profundezas da antiga memória e acompanho cada cântico entoado! Pareço voltar no tempo e imagens vão se formando diante dos meus olhos: a escadaria q leva ao coro da Igreja Matriz, tão sinuosa quanto velha e perigosa era e cujos degraus eu galgava cheia de medo; os senhores q elegante e orgulhosamente solavam as Jaculatórias (lembro apenas os nomes de Osvaldo Dorea e Jair) e aos músicos que tocavam aqueles instrumentos esquisitos para minha ignorância, mas q me fascinavam (o violino e o violoncelo)! Como e' bom voltar no tempo, mesmo q seja por poucos instantes e tão introspectivamente! A saudade, inevitável, reconheço, porém, naquele breve momento, senti-me convicta de quanto era e sou feliz por ter vivido tudo aquilo e ainda hoje gozar da mesma emoção de menina! Não há nada além que possa definir meus sentimentos, essa sensação de paz e gloria ou explicar a incontrolável lágrima q se liberta sempre q ouço a primeira Jaculatória, a não ser a emoção e o infinito e verdadeiro amor q ela própria expressa:


" Na mente do eterno de origem tão pura


Com o eterno existes o Mãe de ternura!"

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