Há mais ou menos um mês que estou pacientemente tentando organizar minhas gavetas e cantinhos que ainda estão esquecidos. As vezes, as pessoas não entendem o quão se torna difícil em certos momentos se desfazer de algo, por mais banal e ridículo que aquilo a ela pareça. Por trás de um objeto sem valor monetário há uma história, uma boa ou má recordação, há um pedaço seu... Nesse mexe e remexe de gavetas encontrei uma folha de caderno envelhecida, amarelada pelo tempo, onde postei uma revelação, uma crise emocional pela qual passava. Era dia 15 de Março de 1979... e eu em plena juventude, cheia de conflitos.
" As verdades apenas pensadas são satisfazem. Talvez, necessário se faça escrevê-las para que eu possa encará-las.
Penso sobre minha vida a dois e pergunto que sentido posso dar a ela.
Não sou mais a romântica de antes. Não sei se a mataram ou se eu a matei e a enterrei no mais profundo de mim.
Os sonhos já não fazem mais parte do meu cotidiano, apenas uma realidade por vezes cruel e desmotivada.
Não me julgo infeliz. Falta-me, quem sabe, um pouco mais de alegria. Aquela felicidade de amar está estremecida, necessita de um pouco de forças para reerguer-se.
Procuro em alguém o carinho aberto que me falta, o carinho sem reservas, sem medos, sem orgulho.
Preciso de um homem que me levante moralmente, que não me abata a todo momento que se faz presente.
Alguém que me faça sentir querida, não apenas nos momentos de luxúria e prazer, mas nos menores gestos, nos mais ciganos olhares, no mais despercebido sopro de vida.
Preciso de alguém que me reconheça como gente, que me admire pelo que eu sou e não só me escorrace pelo que eu não deveria ser.
Alguém que contrabalance os meus defeitos e as minhas qualidades.
Alguém que não me deixe perdida diante de caminhos supostamente tortuosos, mas que poderia trazer-me um outro mundo.
Enfim, alguém que me agarre com firmeza, corte minhas garras e tolha meus mais desvairados impulsos com amor, muito amor e diga com veracidade "Você é massa, gata, você é muito, muito..."

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