Tentar manter um relacionamento gentil, pacífico, amoroso,
comigo mesma, antes de qualquer outra coisa, é uma necessidade: convivo comigo
vinte e quatro horas todo santo dia, há muitos anos. E a tendência é que isso
prossiga exatamente dessa maneira, sem perspectiva de mudança, pelo menos até
que se encerre essa temporada. Onde quer que eu vá, eu me levo, com ou sem
vontade. Não importa o que eu faça, estou junto, inseparável, simbiótico assim.
Com ou sem outra companhia, eu me acompanho. Quando todos vão embora, quando as
luzes se apagam, quando cada dia vai dormir, quando cada novo dia acorda, eu
permaneço. Mesmo quando durmo, o enredo dos meus sonhos, de uma forma e de outras
também, fala de mim, vê se pode! Ainda que, de vez em quando, nos períodos
inevitáveis de cansaço da convivência, eu tente escapar desse contato por meio
de algum disfarce, conhecido ou inédito, não demora muito eu me encontro
novamente. Não tem jeito.

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