Toda vez que me tornei insuportável para mim, eu me meti
numa encrenca. Das grandes. É muito complicado passar tanto tempo na companhia
de alguém que a gente não curte. De alguém que a gente não está conseguindo
olhar nos olhos. De alguém cuja voz nos irrita. De alguém com quem não
conseguimos permanecer em silêncio, até onde o silêncio é viável. De alguém
cuja presença faz o nosso coração recuar. Muito além de um mero capricho, é por
isso também que eu insisto tanto em investir nessa relação. É maravilhoso
contar com a presença das pessoas que eu amo, mas, antes de tudo, estar comigo,
com ou sem elas, precisa ser minimamente confortável, apesar de toda
instabilidade climática e da possibilidade de chuvas ocasionais e trovoadas no
decorrer do período. Precisa ter a maior qualidade de leveza que eu consiga. E,
na medida do possível, precisa ser até divertido. Afinal, não é pouca coisa:
são vinte e quatro horas, ininterruptas, por dia. Só dá pra levar bem se rolar
afeto, como diz um amigo meu. Só dá pra levar bem se existir, um pouco que
seja, de amor, ele que, a gente sabe, é capaz de coisas incríveis. Muito mais
do que um luxo, aprender a conviver melhor comigo é uma prioridade, sempre
atualizada, além de ser um descanso.
Ana Jácomo

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